Ago, 2026

“Queremos um site novo”

Antes de fazer um site novo, faça o teste dos oito segundos. Revela se o problema é de estrutura ou de decisão, e a diferença custa alguns milhares de euros.

O pedido

"O nosso site já tem uns anos, não está bem no telemóvel e a imagem está desatualizada. Queríamos um site novo, mais moderno, que passasse melhor o que fazemos."

Este pedido chega com esta redação quase exata várias vezes por ano. E tem sempre uma parte verdadeira: se o site tem mais de quatro ou cinco anos, é provável que precise mesmo de intervenção técnica.

O problema é a última parte da frase. "Que passasse melhor o que fazemos" está a pedir a um site que resolva uma coisa que nenhum site resolve.

O que está por baixo

Na maioria dos casos, o site não está feio. Está mudo.

Abre-se a página inicial e encontra-se uma imagem grande, uma frase que podia ser de qualquer empresa do setor, e três blocos com os serviços. Tecnicamente correto, visualmente aceitável, e completamente incapaz de dizer a alguém porque é que havia de escolher aquela empresa.

Isto não é falha do site anterior nem de quem o fez. É que a empresa nunca decidiu o que queria dizer, e nenhum site resolve indecisão. Um site é um recipiente. Se não houver mensagem, fica um recipiente bonito e vazio.

O resultado previsível é conhecido: faz-se o site novo, fica melhor durante uns meses porque está limpo e rápido, e ao fim de ano e meio regressa a mesma sensação. Nessa altura já se gastou o orçamento e a conclusão habitual é que é preciso outro site.

A pergunta que ninguém fez

Não é "como deve ser o site novo". É "o que é que este site tem de conseguir dizer em oito segundos".

Oito segundos é aproximadamente o tempo que alguém dá a uma página antes de decidir se fica ou fecha. Nesse tempo tem de perceber três coisas: o que a empresa faz, para quem, e o que fazer a seguir.

Se a página atual não consegue isso, o problema não se resolve com um site novo. Resolve-se com uma decisão.

O briefing corrigido

"Queremos definir o que este site tem de dizer, a quem, com que prova, e que ação queremos que a pessoa tome. Depois disso, decidimos o que fazer com a estrutura e o design."

Menos entusiasmante, muito mais rápido, e bastante mais barato. Já aconteceu resolvermos casos destes com uma reescrita da página inicial e sem tocar no site.

O teste dos oito segundos

Faça isto hoje. Não precisa de ferramentas.

Passo 1.

Abra a página inicial do seu site num telemóvel.

Passo 2.

Chame três pessoas que não conheçam bem o seu negócio. Vizinhos, familiares, alguém do escritório do lado.

Passo 3.

Mostre a página durante oito segundos e tape o ecrã.

Passo 4.

Faça três perguntas: o que é que esta empresa faz? para quem? o que é que eles querem que eu faça a seguir?

Passo 5.

Não ajude, não explique, e resista à vontade de justificar. A vontade de explicar é a informação mais reveladora do teste.

Se as três pessoas falharem as três perguntas, tem a resposta. E tem-na por vinte minutos, em vez de a descobrir a meio de um projeto de desenvolvimento.

E o que mudou em 2026

Vale a pena juntar uma coisa que muda a forma de pensar o site novo.

O site deixou de ser a principal porta de entrada de visitas. Com as respostas geradas por inteligência artificial no topo dos resultados de pesquisa, muita gente decide antes de chegar ao seu site, ou nem chega a chegar.

Isto tem duas consequências práticas. A primeira é que investir num site enorme, com muitas páginas de conteúdo genérico, tem hoje menos retorno do que tinha há três anos. A segunda é que o site passou a ter uma função diferente: confirmar para quem já ouviu falar de si, e fornecer informação específica que possa ser citada.

Um site mais pequeno, mais claro, com informação que só a sua empresa tem, vale hoje mais do que um site grande e completo. É uma boa notícia para quem tem orçamento limitado.

O que fazer se este for o seu caso

Antes de pedir propostas de desenvolvimento, escreva quatro coisas numa folha:

A frase que a página inicial tem de dizer. Uma frase, sem adjetivos.
A prova de que essa frase é verdadeira. Um número, um caso, um nome. Alguma coisa verificável.
A ação que quer que a pessoa tome. Uma só, não quatro.
O que a empresa tem que os concorrentes não conseguem escrever sem mentir.

Com estas quatro coisas escritas, qualquer proposta de site que receber vai ser melhor e mais barata, porque quem a fizer sabe o que está a construir.

Se quiser esta análise feita de fora antes de investir no desenvolvimento, é uma das coisas que fazemos no nosso diagnóstico de entrada.